Tá Na Mente

Os integrantes do Tá na Mente realizam um sonho que começou há quase oito anos: viver de música. Quando Marquinhos, Eduardo e Roni formaram o grupo Novamente, em 2002, eles eram adolescentes da favela de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Sempre que Roni, o vocalista, tirava notas baixas, o castigo era não poder sair para fazer shows. Para resolver o problema, os colegas iam à casa dele convencer seu pai a reconsiderar.

O tempo passou e a banda, já batizada de Tá na Mente, ganhou novos integrantes: Alan, Kid e Pretão, mas a vida de todos continuava difícil. “Tocávamos para quase ninguém, na chuva. A grana era curta, e rolava uma pressão para a gente trabalhar com outra coisa”, conta Eduardo, que, como Pretão, era jardineiro. Os outros só estudavam.

Mas tudo mudou quando a música “Fica” foi para as rádios. O grupo já tinha aberto shows do grupo Pique Novo, e Cesinha do Cavaco, conhecedor do caminho das pedras, resolveu ajudá-los. “Na primeira vez que nos ouvimos no rádio, foi um sonho”, conta Roni, que, assim como os colegas, continua sem atender o celular enquanto a música está tocando: “Ainda não acreditamos”.

Hoje, os meninos, todos entre 21 e 24 anos, fazem sucesso com as garotas, têm até oito shows num fim de semana e atraem a vizinhança ao posar para fotos no conjunto habitacional onde mora Kid, em Benfica. Mas isso parece não importar para eles. “Nossa alegria é o reconhecimento do trabalho, fama é consequência”, acredita Roni.